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A Música de Montalvânia
(Hoje HINO DE MONTALVÂNIA) Pequeno histórico

Sempre me pergutaram: como nasceu, quando, onde e porque a música Montalvânia!?
A música Montalvânia nasceu em 1969, em Brasília, fruto da distância, da saudade e do amor.

Em janeiro de 1968, a convite de Antônio Montalvão, eu fui a Brasília para um passeio de três dias e só retornei, definitivamente, trinta e cinco anos depois. Veio ele e eu lá fiquei em busca do sonho do estudo, do conhecimento e do trabalho.

Me lembro bem, era primavera de 1969. Brasília resplandecia. Lá estava eu há mais de um ano confinado à distância e à saudade. Em Brasília tudo brotava, tudo floria. Não só o verde, as flores, a alegria, as idéias, mas a própria cidade florescia, emergindo do sonho eternamente primaveril e auspicioso de Jucelino.

Esse ambiente de conquista, de realizações me fez lembrar que eu deixara Montalvânia vivendo situação semelhante. Uma Montalvânia eufórica, na expectativa de também galgar, conquistar e concretizar os sonhos, igualmente primaveris e auspiciosos, de Antônio Montalvão.

Essa lembrança me veio abraçada à esperança e me encontrou embebido de emoção, de sentimento, de sonhos e de um desejo imenso de falar, cantar, decantar, enaltecer, exaltar e idolatrar Montalvânia. Jovem, assente e tomado desse desejo, arrefeci-me da solidão, do silêncio e, de violão, papel e lápis na mão, deixei ir brotando naturalmente do fundo do peito os versos da música Montalvânia. Cada verso que nascia trazia consigo a melodia e lágrimas. São gêmeas siamesas: letra e música.

Quando eu estava acabando, finalizando mesmo, ali nos últimos detalhes, coadunando letra e música, encaixando a voz, me aconteceu uma das mais gratas e vibrantes surpresas: me apareceu, de repente, quarto adentro o senhor Antônio Custódio, o meu estimado amigo Toninho Cutódio. Me pegou tocando emocionado, meio cantando, meio chorando e, antes que eu me recompusesse, já foi falando euforicamente:
- "Ah! Nenén, essa eu vou levar! Essa música eu vou gravar agora e levar. Vou ouvindo daqui até lá em Montalvânia! Ah! Menino, e quando chegar lá, naqueles botecos, vou matar nego de inveja. Só vai dar ela. Ninguém tem! Vou mostrar pra todo mundo!"

- Só então nos cumprimentamos e ele explicou que já havia um tempo que estava lá fora ouvindo eu fazer a música. Chegara, ouvira e ficara. Tentei dizer-lhe que a música não estava pronta, que eu estava naquele momento exatamente tentando terminá-la. Que nem sabia cantá-la toda ainda. De nada adiantou. Ele nem me deixou terminar e foi dizendo logo:

- "Não tem perréps, meu caro. Fica aí acabando. Vai terminando aí e ensaiando que eu só vou ali na casa de Lurdinha, de Chico Reis, pegar um gravador e volto."

- Já foi saindo. Eu fiquei lá realmente tentando finalizar. Caprichando na tentativa de conseguir cantar a música toda pelo menos uma vez. Não demorou nada e ele retornou. Foi entrando e foi dizendo:

- " Ah! Nenén, olha aqui ó, prontinho. É só apertar tudo junto, essa tecla aqui - REC, com essa aqui - PLAY, e pronto... tá gravando... é só cantar. O microfone é embutido e a fita já tá no ponto certinho."

-
Tentamos algumas vezes, em vão. Eu não estava pronto. Então ele disse:

- "Olha, é o seguinte, fica aí sozinho tentando... gravando. Eu não quero atrapalhar não. Eu sei que você vai conseguir. É só falta de ensaio. Eu vou embora, depois eu volto pra pegar... Ah! Nenén!"

-
E saiu. Isso mesmo. Dito e certo. Fiquei ali no capricho e a cada tentativa eu apertava as tais teclas REC e PLAY. Muitas vezes. Até que, por milagre, eu consegui cantar e acompanhar a música todinha uma única vez sem errar, ela ficou registrada, estava gravada. Mais tarde entreguei-lhe o gravador com a fita. Papeamos. No dia seguinte, cedinho, ele veio para Montalvânia. Fiquei com minha saudade e com inveja.

O tempo passou, marasmadamente, engolindo os dias e, para minha surpresa, quatro, cinco meses depois, quando aqui cheguei de férias escolares e do trabalho, minha música tinha caído nas graças do povo. Recebi elogios e parabéns. Todos comentavam. A música estava por todos os lugares. Nos eventos sociais. Nas apresentações escolares. Nos aniversários. Nas farrinhas. Nos bares. Nos passeios. Nos piqueniques. Tudo isso, sempre, nas vozes seduzentes e maviosas dos meus estimados colegas e queridos amigos Joanilson (Tanina), Heleno (Bodão... Maria Oião), Carmerindo (Mero Gabiru... Caboje), Tom (do velho Zé Vieira), Joana Leite (Ninha de Ferreira) e outros.

- A eles serei sempre grato.

- Obrigado amigos, por terem absorvido e levado a todos o meu sentimento de eterno amante dessa terra. Obrigado meu caro Toninho Custódio, pela transparência da verdadeira emoção, da verdadeira alegria ao conhecer minha música e tê-la transportado no coração e no toca-fita do seu carro para o berço onde ela brotara, para o rincão onde o povo a eternizou no meu peito. Obrigado cochaninos, por vocês terem, na minha fiel e mais sincera concepção, transformado, no decorrer do tempo, a música Montavânia em "Hino de Montalvânia." Obrigado a todo aquele que trás no olhar, entre um fechar e abrir de pálpebras, a visão e a imagem de quão bela, amiga, cordial, atraente, hospitaleira, apaixonante e ninhal é a nossa querida Montalvânia. Obrigado Montalvão, por ter criado a cidade dos meus sonhos.

Por fim, obrigado a todos que zelaram pela legitimação, especialmente ao amigo Vando (Vandão de Nestor), ao caro vereador Roni (Roni da Prefeitura) e ao meu camaradinha, meu irmãozinho Fábio (Fábio de Pedro Jóia) que tanto empenharam em submeter à apreciação da Câmara projeto de avaliação para que a música Montalvânia pudesse ser estudada, analisada, julgada e declarada oficialmente, legalmente e definitivamente o "Hino de Montalvânia". Nome pelo qual será reconhecida a partir de então e desfilará ao lado do Hino e da Bandeira Nacionais, do Hino e da Bandeira Estaduais e, principalmente e orgulhosamente, de mãos dadas, lado a lado, com a bandeira da nossa cidade, do nosso município, criação primorosa, obra-prima e arte do senhor José Amâncio dos Santos, o nosso estimado e querido cidadão Zé de Amâncio (Zezão), a quem cumprimento, parabenizo e reverencio.

Quero agradecer, profundamente, à Egrégia Câmara de Vereadores que, por unanimidade, acatou, avaliou e aprovou a iniciativa. Meu muitíssimo obrigado, do fundo do coração, ao nosso excelentíssimo, digníssimo e mui reverendíssimo Prefeito Padre José Aparecido que, sem impedimento, sem delongas e sem nenhuma objeção, acolheu, homologou e sancionou lei, tornando oficial e suprema esta decisão.
... E foi assim, meus irmãos, que nasceu a música Montalvânia, hoje (pela benevolência cochanina) Hino de Montalvânia. O que muito me orgulha. Nasceu de uma distância imensa. De uma saudade eterna. De um amor infinito, que nutri, nutro e nutrirei, para sempre, por essa minha querida e amada cidade: Montalvânia!.

Fila Sabino.
Montalvânia, MG. 25.04.2010

HINO DE MONTALVÂNIA
Letra e Música: Filadelfo Sabino de Azevêdo (Fila).

Montalvânia, Montalvânia de Montalvão
Montalvânia, Montalvânia do meu coração
Montalvânia, mesmo longe, eu lhe tenho presa às minhas mãos
Montalvânia linda menina do jovem que tem emoção

Montalvânia, Montalvânia de todos nós
Montalvânia, meu desejo não é tão atroz
Sonho vê-la, ainda cedo, brilhando como um cristal
Sob os olhares de olhos milhares de todos que sonham em lhe ver capital

Montalvânia de filosofias mil
Confúcio, Platão e de Praça Cristo Rei
Santayana, Buda, Maomé,
Zoroastro, Marco Aurélio, Gallileu Gallilei...

Montalvânia da humildade
Catita cidade de paz e união
Montalvânia de braços abertos
Futuro tão perto na evolução

Motalvânia da felicidade
Bradar o seu nome o seu povo não cansa
Montalvânia de Montalvão
Segunda Brasília da nossa esperança

Montalvânia de Montalvão
Segunda Brasília da nossa esperança

Montalvânia de Montalvão
Segunda Brasília da nossa esperança!...
Brasília - DF: 24.09.1969.
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