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Armadilha
- Para
refletir
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Matéria publicada em 2007.
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Hoje:
de 2009 -  |
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Mais
ação, menos discurso
A velha armadilha do asfalto que
não chega. |
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| Paulo
Guedes ao lado do ministro Walfrido Mares
Guia e do vice-presidente da República, José
de Alencar, na comemoração da vitória em outubro
de 2006: euforia cede espaço à realidade |
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Há
um ano o deputado Paulo Guedes (PT)
flutuava na nuvem benfazeja que envolve
os vitoriosos. O ex-vereador por Manga
em três mandatos acabava de conquistar
o passaporte para a Assembléia Legislativa
de Minas Gerais após campanha eleitoral
memorável e recheada de incertezas. |
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Sua
excelência ainda sorvia, numa espécie de torpor
e incredulidade, o líquido suave da generosa
taça do triunfo.
Fora
uma aposta ousada, coroada com os louros da
vitória que estão mais à mão daqueles que
se atiram adiante sem medir os riscos inerentes
à empreitada.
Fosse outro o final daquela jornada, Paulo
Guedes mereceria, sabe-se lá, uma notinha
de pé de página a título de registro do seu
fracasso.
A crônica dos vencedores é menos madrasta.
Contra todas as expectativas, o petista passara
um trator por cima de nomes tradicionais da
política regional.
Mandato zero quilômetro na mão, Guedes vivia
naquele início de outubro de 2006 o período
de lua-de-mel com o eleitorado. Trata-se daquela
fase em que tudo são expectativas e as promessas
têm todo o sentido do mundo, ainda que a realidade
aponte para outra direção.
É o caso do asfaltamento da BR-135 no trecho
que liga o povoado de Rancharia, no município
de Itacarambi, até a divisa com o Estado da
Bahia nas proximidades da cidade de Côcos
- não sem antes tirar o município limítrofe
de Montalvânia do isolamento que o acompanha
desde a criação em meados do século passado.
Pelo menos na região extremo norte de Minas,
de onde é originário, Guedes hipotecou sua
vitória à realização da obra do asfalto da
BR-135. Não é pequeno o número dos que se
arvoram à paternidade desse asfalto. São 40
anos de resignada espera por parte do nosso
sertanejo - sempre crédulo de que as coisas
são como são não pela mísera condição do gênero
humano, mas pelos desígnios sempre insondáveis
do Padre Eterno.
O fato concreto é que um ano após a eleição
do petista Guedes, o asfalto da BR-135 até
Montalvânia está onde sempre esteve nas últimas
quatro décadas: na condição de simples promessa,
de miragem sujeita à boa vontade dos "homens
lá de cima". Ainda depende das vontades e
humores dessa gente que controla os números
orçamentários, dos que usam e abusam da esperta
malandragem desses tempos ditos modernos em
que governantes se amparam em recursos de
marketing e propaganda para criar uma realidade
de comercial de televisão sem lastro com a
vida real. Resta a espera resignada. Mas há
que se concordar com a constatação a seguir:
nunca antes as circunstâncias foram tão favoráveis
à execução da obra.
Paulo Guedes tem como parceiro e mentor político
o também petista e deputado federal Virgílio
Guimarães, um especialista com trânsito nos
complicados labirintos do orçamento federal.
Dinheiro há, diz o deputado Guedes. Está tudo
previsto no PAC, sigla que promete acabar
com os gargalos que atrapalham o andar da
carruagem Brasil. O tempo, contudo, segue
sua marcha de caminhar e nada acontece, As
chuvas estão chegando, daqui a pouco teremos
o verão e a repetição das velhas cenas em
que o morador de Montalvânia fica isolado
do resto do mundo. O sertanejo, na sua simplória
perspectiva de mundo, ainda há de preferir
a chuva, que atrasa, mas não falta. O asfalto
fica mais uma vez debitado na conta da esperança,
que é prima-irmã da perseverança e a última
a fenecer.
Não se pode dizer que a dupla Guedes & Guimarães
tenha se omitido na promessa que tem o primeiro
como signatário e o segundo como avalista.
Eles tentaram em meados do mês de agosto,
durante visita à sede da Superintendência
Regional do DNIT, em Minas Gerais, convencer
aquela autarquia responsável pelas rodovias
federais a agilizar o processo de homologação
das obras de asfaltamento da BR-135 que tratamos
mais acima. Eu mesmo testemunhei visita do
deputado estadual na sede do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes
(DNIT) aqui em Brasília para tratar do assunto.
As obras poderiam começar imediatamente caso
o DNIT aceitasse fazer a adjudicação [decisão
judicial que declara que algo pertence ou
passa a ter novo responsável] de uma antiga
licitação para execução da obra realizada
pelo governo do Estado de Minas no período
em que a estrada esteve sob a administração
do governo mineiro. A obra não foi realizada
naquela ocasião por falta de recursos disponíveis
no orçamento estadual.
O tempo passa o asfalto não chega.
O calendário agora impõe sua urgência ao mundo
político. Em outubro sairão das urnas os novos
prefeitos e vereadores dos municípios. Paulo
Guedes, que não mede riscos e apostas, sonha
colocar correligionários seus nas prefeituras
de Montalvânia, Manga, Itacarambi, Januária
e São Francisco - neste último município tenta
reconduzir o padre José Antônio ao cargo de
prefeito, como forma de retribuir a votação
recorde recebida no ano passado. Guedes planeja
ainda montar uma bem sortida base de vereadores
leais à sua cartilha entre os diversos partidos
na região - estratégia que vai garantir
tempos mais amenos quando chegar o momento
da sua própria reeleição para a Assembléia
em 2010.
A situação do petista Paulo Guedes ainda é
tranqüila na região, mas a abertura da temporada
eleitoral promete exacerbar os questionamentos
e as cobranças por parte do eleitorado - com
a óbvia colaboração dos candidatos adversários.
Alimentar o otimismo no seu entorno é pré-requisito
para o político que deseja permanecer como
tal. E Paulo Guedes é pródigo no assunto,
o que é legítimo. No início deste ano, quando
visitei Manga em férias, pude presenciar uma
espécie de comício em que ele e Virgílio agradeciam
ao eleitorado a votação recebida alguns meses
antes. Naquela ocasião, Virgílio fez uma promessa
pública de que o asfalto chegaria e estipulou
prazo: no máximo um ano. Discursos de palanques
são palavras atiradas ao vento, mas manda
o bom-senso que não se estipule prazos para
decisões que não estão inteiramente sobre
o controle de quem segura o microfone.
A fatura das promessas de campanha será apresentada
ao deputado e aí será necessário desempacar
o PAC e toda sorte de obstáculos que impeçam
a massa asfáltica de riscar de preto o chão
do lado esquerdo do rio São Francisco. Escaldado,
o eleitor da microrregião diretamente beneficiada
com o asfaltamento da BR-135 não aceita mais
assinar o cheque em branco como é de praxe
a cada rodada eleitoral. Quer mais ação e
menos discurso.
O asfalto que vai passar em Manga com destino
a Montalvânia tem muitos padrinhos, alguns
deles ilustres. Caso do vice-presidente da
República, José de Alencar (PR) e do ministro
Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais),
na foto lá no alto juntos com Paulo Guedes
na carreata da vitória de um ano atrás, além,
claro, de todo político com ou sem mandato
com algum tipo de atuação na região. Se sair,
o asfalto é o filho que todo costuma político
reclamar paternidade. Em caso contrário, a
fatura é de quem mais se arriscou em sua defesa.
É o dilema que Paulo Guedes e Virgílio Guimarães
têm pela frente.
Fonte: BLOG DO LUÍS CLÁUDIO |
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